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Após tsunami político, clamor por "Diretas Já" volta às ruas



por Beatriz Drague Ramos — publicado 18/05/2017 por Carta Capital

Ao menos mil manifestantes reuniram-se na Avenida Paulista para protestar contra Michel Temer e pedir a sua saída da presidência

Manifestantes fecham via da avenida Paulista pedindo eleições já depois das divulgações de corrupção envolvendo o presidente Michel Temer

O protesto foi em parte espontâneo e em parte convocado pela Frente Povo Sem Medo, galvanizado após revelações de Joesley Batista, dono da JBS, de que o presidente Michel Temer tinha conhecimento e incentivava o silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, nas investigações da Operação Lava Jato.

Na principal avenida de São Paulo, cerca de mil manifestantes se reuniram quase que imediatamente após a notícia. Cerca de uma hora após a divulgação da notícia, o vão do MASP já se encontrava cheio. Por volta das 22 horas, uma parte da avenida foi fechada por manifestantes.

Um dos presentes no protesto, o designer Raul, de 26 anos, declarou que espera que Michel Temer "caia o quanto antes", mas admite que o clima é nebuloso. "Não dá para saber o que vai surgir de nomes. Eles estão brigando entre si, está uma zona, igual sempre foi”.

Já para a aposentada Sônia, de 68 anos, o processo de impeachment de Temer deve ser apressado para “se limpar tudo isso”.

O ato cresceu aos poucos, com paradas no meio da rua, apenas com os faróis fechados. Ao final da noite a avenida foi completamente fechada (Foto: Paulo Pinto AGPT)

Também presente nas ruas, Vidal, de 35 anos, não está otimista com os possíveis desdobramentos da crise política. "Não podemos ter uma empolgação muito grande, pois eles [os políticos] já pensaram em alguém para colocar no lugar, o que provavelmente não será bom para o povo". Para ele, "o povo deve comandar o processo" e, para isso, é preciso também "sair da Avenida Paulista e fazer o trabalho de base".

O rapper Vidal, do Grupo de Rap Liberdade e Revolução, diz também que não pretende votar em ninguém em 2018. “Do jeito que as eleições são colocadas hoje, o único direito que a gente tem é de escolher alguém que irá nos explorar por mais quatro anos, temos que construir a política de baixo para cima, a esquerda tem que descer com a gente para a periferia”.

A manifestação foi pacifica até seu fim (Foto: Reprodução do Facebook Reinaldo Meneguim)

Com uma criança no colo, a operadora de telemarketing Luziane, de 27 anos, pensa que a conjuntura está difícil e conspira contra os interesses do povo. "Eu não vou dizer que eu não acredito na democracia brasileira, senão não faz sentido eu estar na luta. Acredito que possa mudar sim e que possamos conquistar algo de melhor para a gente, para a sociedade, para o Brasil”.

O ato seguiu pacificamente até aproximadamente meia noite e meia. Ele foi finalizado em frente ao gabinete da presidência, na Avenida Paulista. A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo já convocaram manifestações para os próximos dias nas grandes capitais.

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