(31) 99961.3063 (31) 3225-6408









Nabil Bonduki - Doria estimula a 'anticultura' da velocidade



Fonte: Folha de S.Paulo 12/09/2017

Impossível, neste 11 de setembro, não recordar o ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, que causou 3.500 mortes. Atentado realizado com aviões de passageiros, voando a 900 km/h.

Veículos em alta velocidade são armas. Os terroristas descobriram isso e passaram a usá-los para atacar pedestres em cidades europeias. Desde 2016, foram 120 mortos.

Esses atentados são pavorosos, mas os números são inexpressivos frente aos mortos no trânsito. Veículos dirigidos sem intenção de matar viraram máquinas mortíferas.

No Brasil, cerca de 43 mil pessoas morreram em 2015 em acidentes, o que representa um "11 de setembro" por mês em número de mortos. Em 12 anos, o trânsito matou 500 mil brasileiros e feriu outros 1,5 milhão, o dobro da guerra na Síria.

Os veículos precisam ser usados com precaução. Ao contrário, no século 20, difundiu-se como um valor a cultura da velocidade, que ainda seduz parte da população, sobretudo a masculina.

A velocidade foi um dos signos da modernidade que, antes de se espalhar, encantou artistas e arquitetos, no início do século 20. O futurismo, movimento de vanguarda artística, tinha nas máquinas velozes uma das suas inspirações.

Le Corbusier estruturou parte da sua teoria urbanística moderna na velocidade do automóvel. A rígida separação entre a moradia e o trabalho que propôs era viável porque o carro podia vencer grandes distâncias em pouco tempo.

Esse tipo de modernidade já ficou velha, mas ainda existem políticos que não perceberam que descartar a "anticultura" da velocidade é crucial para a segurança no trânsito e para o futuro das cidades.

Em 2015, São Paulo deu um exemplo excepcional ao Brasil ao reduzir os limites de velocidade nas marginais e estabelecer 50 km/h como teto nas avenidas. Não foi original: as principais cidades do mundo já aderiram a essa tese.

O mérito do prefeito foi ter difundido o princípio de que os motoristas deveriam usar de maneira mais cuidadosa os automóveis e respeitar os modais mais frágeis, como o ciclista e o pedestre. Entre 2014 e 2016, os mortos no trânsito caíram 24%, de 1.249 para 950.

Mais grave do que aumentar as velocidades nas marginais, decretado por Doria em 25 de janeiro 2017, é a mensagem que ele passa ao veicular seu slogan "Acelera SP". A "anticultura" da velocidade, que deveria ser combatida, é estimulada.

As mortes voltaram a crescer. Nos últimos seis meses, o número de mortos no trânsito de São Paulo subiu 6,7% em relação ao mesmo período de 2016, de 461 para 492. A arrecadação com multas cresceu em índices muito superiores: 29,1% no primeiro semestre de 2017, em comparação com 2016.

Os dados mostram que São Paulo acelera em uma direção equivocada.

Compartilhamento:      
CALENDÁRIO SINARQ
Fevereiro / 2018
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28      

FORMULÁRIO DE CONTATO

CSU
CUTCAUPrimondoFNA





RECEBA AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Informe-se sobre as principais ações do Sinarq/MG, cadastre-se em nossa newsletter.



Onde Estamos



Rua Mestre Lucas, 70 - Bairro Cruzeiro (esquina com a Av. Afonso Pena) - Belo Horizonte/MG - CEP 30310-240. CNPJ: 19.691.336/0001-76 Código da Entidade: 012.101.01750-6. Email: faleconosco@sinarqmg.org.br



© 2015 - SINARQ Todos os direitos reservados